domingo, 18 de outubro de 2009

MUDAMOS DE ENDEREÇO:






E agradecemos a preferência.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

lazer

_ cara... comprei aquele tênis! tomei sorvete na praça de alimentação e fui ao cinema.
depois que o filme acabou, saindo do cinema, ou seja, umas 2 horas depois, eu me dei conta de que meu tênis não estava comigo, a sacola.
saí do cinema correndo, como se tivesse acontecido uma tragédia no filme, em direção à praça de alimentação...
a faxineira achou e deixou no SAC do shopping.
_ você precisa de férias.
_ entrei na livraria para ver umas novidades e o vendedor me perguntou quem ia tocar lá onde eu trabalho. achei melhor ir pra casa.
_ odeio morar em cidade pequena.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

thalita peron disse...

pois é, eles acham que é diversão.
a vida que a gente leva,
o ritmo que a gente nem sempre escolhe,
o tranco que a gente aguenta,
os sentimentos que a gente carrega,
as noites que a gente trabalha,
as contas que a gente paga,
os relacionamentos que a gente constrói.
eles acham que é diversão, que dá pra abandonar na hora que enjoar, que é muito problema pra uma cabeça com pouca idade.
...
eu nunca falei que ia ser fácil. você escolheu vir... e eu deixei.
o erro foi não ter achado que era apenas diversão.

sábado, 22 de agosto de 2009

pensamentos do balcão

depois de dois meses, eu descobri que preguiça é uma coisa que cresce dentro da gente, e toma conta.
descobri que existe uma linha tênue entre ser seletivo e ter preguiça de se relacionar.
descobri que carência é um negócio que pode ser confundido com a tentativa (em vão) de esquecer.
descobri que paixão e "cisma" são coisas diferentes. porque paixão envolve vontade, e "cisma" envolve orgulho.
descobri que eu não sei mais flertar com as pessoas. (falei!)
descobri que certas coisas acontecem pra gente se tornar menos inconsequente, mesmo perguntando todos os dias porque tem que ser assim.
(re)descobri que, se Dorflex é bom pra dor no corpo, alcool é um santo remédio para dores do coração.
e que o melhor remédio pra dor de cabeça da ressaca moral é o despreendimento do medo sobre o que a outra pessoa vai pensar só porque você disse que ainda gosta muito dela.
descobri que, em certas ocasiões, não dá pra voltar atrás mesmo! e por isso a gente carrega algumas consequências pra sempre!
descobri que não adianta ser perdoado: culpa é uma coisa que só se dissolve com o tempo.
e certas dores não valem tanto a pena assim, mesmo que elas lhe custem os momentos mais fofos da sua vida ao lado de alguém.
descobri que feliz é quem deixa o tempo tomar conta dos nossos caminhos. porque perde muito tempo quem fica pensando sobre o rumo das coisas.
descobri a diferença entre as dores: a de não estar com alguém, a falta de vontade de estarem com você, o ócio da solidão e a dúvida do não saber sobre os sentimentos. sobre sentimento algum.
a velha história de nunca saber totalmente o que se passa na cabeça da pessoa, porque não estamos no lugar da pessoa para sentir.
descobri que deve-se confiar mais no que as pessoas fazem do que no que elas falam.
porque falar sobre o que se sente é muito fácil quando é mentira, e bem difícil quando é verdade.
as pessoas nunca falam o que sentem em sua totalidade.
vergonha, medo, insegurança, vontade de não ferir, falsidade, a garantia do não perder, falta de conhecimento sobre o que se sente... falar sobre um sentimento que existe é um troço muito complicado.
descobri que o bom de se morrer por amor é que se continua vivo. mas isso eu aprendi com um moço da PUC, num filme que ele fez.
descobri que certos amigos podem passar anos longe de você, mas alguns deles você reencontra como tivesse visto semana passada.
e que certas pessoas vieram no mundo pra se encontrar e dar algum sentido.
descobri que não importa quantos defeitos você descubra sobre uma pessoa. quando você gosta de alguém, é porque você gosta.
descobri que o esforço pra lembrar das coisas boas, é vontade de esquecer de um jeito que a lembrança seja significativa. e foi aí que eu entendi aquela parte que o amarante canta.
descobri que terminar a faculdade dá uma crise existencial do caralho.
e que não importa se você tá solteiro, casado, namorando, formado, com emprego fixo ou desempregado...
certas coisas você não vai deixar de fazer nunca.
porque as coisas que você faz na vida mostram quem você é.
chega de vodca por hoje. aquele abraço!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

guimarães

sábado, 8 de agosto de 2009

é o medo

“Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro. Ou às vezes encontram e por não prestarem atenção nesses sinais, deixam o amor passar, sem deixá-lo acontecer verdadeiramente. É o livre-arbítrio. Por isso preste atenção nos sinais, não deixe que as loucuras do dia a dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: o amor."

Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

presente de formatura

porque melhor que um diploma na mão, são os amigos que a gente tem aqui dentro.
assunto: para as minhas meninas.
"Querida Shi !!

Fiquei muito triste por não ter participado da sua formatura.
Passou pela minha cabeça, no último fim de semana, tudo o que a gente já passou junto vestindo um uniforme cinza que só podia usar com tênis preto.

Todas as provas no final do bimestre, todos os esporros da Madre Superiora, todos os recreios na escada, todas as aulas no fundão, todos os doces que eu pendurei porque você
sempre me convencia a comprar, todas as tardes que a gente passou na sua casa, rindo, chorando, no ICQ, no MSN, fofocando, vendo filme, fazendo doce, inventando moda, vendo o tempo passar, baixando música, discutindo quem era o assassino da novela, fazendo strogonoff, bebendo vodca barata... era assunto que não acabava mais naquela cozinha !!! E como aquela confusão toda de cachorro, primo, prima, trabalho em grupo, sábados inteiros na mesma sala me faziam bem !! Quando eu queria fugir dos problemas da minha casa, quando eu queria uma folga da minha mãe, quando meu namorado estava na TPM, quando tava tudo ruim, quando a grana tava curta, era pra lá que eu ia, correndo! Ter você por perto era a certeza que eu tinha que tudo tinha jeito, que era melhor aproveitar porque tava acabando, porque a hora sempre chega, e todo ciclo tem seu fim. Viver é aceitar isso.

Às vezes eu fico imaginando como seriam as nossas vidas se todas nós continuássemos convivendo junto, morando perto uma da outra, estudando junto, crescendo junto, aprendendo a ser gente grande junto... e realmente não sei o que dizer!

Moro a alguns quarteirões da Bruna, e sempre que encontro com ela vejo uma pessoa que já não conheço mais, não sei o que ela gosta de ouvir, não sei qual livro ela está lendo, não sei a história do namoro dela de anos, não sei dos problemas, dos sonhos, dos anceios que a Bruna sempre teve! Eram muitos, acredito que ainda são, e comos todas nós, não posso acompanhar de perto tudo o que se passa na vida dela. Mas, de perto, num encontro casual que essa cidadezinha proporciona, ainda vejo a mesma menina que fazia poesias e mostrava pro professor de Literatura, que se descabelava pra entender Química, e inexplicavelmente se dava tão bem comigo, que até hoje eu olho pra ela e sei que isso ainda acontece, de um jeito mais maduro, diferente, talvez mais superficial, mas ainda acontece... ela ainda tá ali, com todos seus pensamentos confusos.

Eu e Giulia nos perdemos pela faculdae afora!!! Moramos juntas e a partir de então nossos caminhos se cruzaram inúmeras vezes, por infinitos motivos! Engajamento político dentro da Universidade, festas, milhões de festas que fomos juntas ou que simplesmente sabíamos que íamos nos encontrar... até ela namorar, até eu começar a trabalhar na noite. Independente disso, ela ainda é uma das pessoas com que eu mais gosto de rir nessa vida!!! A gente morre de rir das maiores besterias do mundo, que só tem graça com ela!
Lembrar das coisas mais bizarras da época da escola, às vezes nem tem graça, mas com ela é diversão garantida, pra chorar de rir !!
Falar mal daquele vilarejo que a gente morava, às vezes é um lamento, um tédio, mas com ela vira crônica, curta-metragem!
Toda vez que eu vejo o início do desenho das Meninas Super-poderosas eu lembro dela, falando de Carangola! Entra ano, sai ano, e a Giulia é a mesma inquieta, maníaca do pé que não pára, do cabelo que não fica no lugar !!

Quando o assunto fica sério, quando dá um saudade danada daquele aconchego que só vocês tinham pra me dar, na infinita crise existencial da minha adolescência, aí eu lembro da Nara, voltando da escola comigo, passando lá em casa pra bater papo, pra fugir da discussão dos pais, saindo da Natação e indo pra Praça comigo comer cachorro quente, namorando o melhor amigo do meu ex-namorado, ouvindo, entendendo, fazendo acreditar que tudo no final sempre dá certo. Se essa vida maluca que eu tô levando de trabalhar na noite, conhecer os piores e melhores tipos de pessoas, me envolver nos relaciomentos mais malucos e ainda por cima me perder em tantos sentimentos ... se isso tudo vale a pena, é porque vez ou outra eu paro e penso que uma conversa com a Nara, no meio de uma rodinha com vocês, resolveria grande parte dos meus conflitos internos.

Vocês fazem parte de uma parte da minha vida que eu precisava acreditar! E vocês me fizeram acreditar, em muitas coisas que eu acredito e sou hoje!
Quando eu respiro e vejo que aprendi a ouvir, quando eu pondero minha grosseria, quando eu não exagero na minha falta de paciência, vejo o quanto de vocês eu carrego! Seus conselhos, seus puxões de orelha, seus incentivos, as risadas que, se eu fechar o olho, ainda consigo ouvir, de cada uma, cada entonação!!!!

Se eu consegui amigos maravilhosos pela vida afora, a culpa é toda de vocês! Se eu consigo ter por perto pessoas incríveis, que daqui a duas semanas estarão recebendo o diploma comigo, que me tratam como irmã-filha-mãe e que nunca vão sair da minha vida como vocês, é porque, por causa de vocês, eu sou uma pessoa melhor, capaz de ter as pessoas que eu tenho por perto!

Na verdade, Shi...eu só queria desejar pra você todo o sucesso do mundo!
Queria que você soubesse que de um jeitinho ou de outro, eu estava aí com você!
Trabalhando feito louca, ignorando esse coração burro que tá sofrendo por amor (pra variar!), tentando conviver com uma ex que eu nunca vi tão feliz solteira rsrs, mas eu tava aí, junto com vocês!

Quando eu entrei no Privilege, a Júlia (Furiati), grande amiga, me disse assim "
Não se esqueça de quem você é! Não deixe ninguém lá dentro te fazer esquecer!"
E é mais ou menos por aí. Entra ano, sai ano, faculdade vai, faculdade vem, a gente vai rodar muito nesse mundo ainda, e o importante é isso: não esquecer quem a gente é, nem quem a gente carrega nessa vida.

Amo vocês!!
Espero vocês na minha formatura, daqui a pouco.
Grande beijo
Thalita Peron"

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

domingo

_ e como foi a semana com ela aqui?
_ ah, foi.
_ conversaram?
_ mais ou menos. a gente deu uma volta na rua. só faltou tocar “pois é” ao fundo pra ser a cópia daquele filme que eu te falei que eu vi. algumas explicações que eu tirei, algumas coisas que eu precisava falar, sem ninguém por perto falando na cabeça dela, sem rádio no meu ouvido, sem música alta. eu precisava disso antes de ir embora.
_ e como você tá depois das explicações?
_ tô bem. com um pouco de pena, talvez. tá bem estranho ainda.
_ por que?
_ porque ela vai acabar sozinha. ninguém leva a sério gente assim. e é sempre o tipo de gente por quem eu me apaixono.
_ gente como?
_ linda, apaixonante, promove momentos incríveis na vida de alguém, adorável, não faz as coisas por mal porque faz parte da sua natureza ser assim, geralmente não mente porque diz que não quer quando não quer mais, e geralmente quando quer, não sabe se quer mais quando consegue. eu sempre me apaixono e acabo não tendo raiva no final das contas. preciso aprender a agüentar já que não resisto.
_ ter consciência disso já é bom.
_ é, tô bem melhor. agora vem aquele processo de manter amizade pra esquecer.
_ conheço esse seu processo.
_ pois é. acabo ganhando amizades incríveis... até aparecer outra pessoa.
_ sempre aparece.

sábado, 1 de agosto de 2009

é o que fica

Uma coisa que sempre me encantou foi a capacidade de algumas pessoas que conheço de simplificar. Tornar significativa qualquer bobagem no meio a tanta confusão.
Hoje eu descobri que eu poderia ter tampado um buraco de 45 dias de lixos sentimentais desnecessários se eu tivesse tido uma tarde como essa.
Me encanta a capacidade que algumas pessoas têm, também, de ainda conseguir arrancar um sorriso, mesmo com tudo isso, mesmo se o motivo for uma coreografia bêbada pela manhã que não deve ser lembrada jamais!
E mesmo com tanta confusão, mesmo que o tempo não tenha ajudado muito, com as pessoas andando nas ruas e as ruas lotadas de pessoas, mesmo me perdendo quando eu quase acho a resposta que ela não quer saber, sem que se perceba a gente se encontra.
Eu não, prefiro assim. Fico com o pouco que sobrou, volto a ser melhor, e apareço vez ou outra para mostrar, pra ela, que lembrança é uma coisa que a gente guarda com carinho. E que mesmo se a gente não guardar, ela aparece entre uma bagunça e outra, na hora de mudar, na hora de limpar as coisas.
Pelo menos a gente se divertiu... muito. Sinto falta de muitas coisas, mas coisas passam.
Uma não invadiu a vida da outra só para provar que “amor é um troço complicado”.
Saber o que quer é importante, mesmo que a gente se engane. Direção é uma coisa que deve existir, mesmo sabendo que podem existir outras.
Não é questão de confundir, é querer te ver crescer. Mas psicologias (baratas!), mais que mentiras sinceras, sempre me interessaram.
Ela não sabia por que eu ainda levava tudo tão a sério. E eu, num descuido de pensamento, não disse que o que eu levo a sério é o que eu sinto.
Deixa o amanhã, e a gente sorri.

terça-feira, 28 de julho de 2009

ufa.doc

_ é, vc ainda não esqueceu...
_ tá foda.
_ isso em outra época já teria virado piada na sua vida, thalita.
_ o problema não é a época. É a pessoa. É ela.
_ cara, como que pode? Ela nem é seu tipo, já reparou? pensa, pensa friamente.
_ eu sei disso.
_ a única coisa que vocês têm em comum é a primeira letra do nome e um uniforme preto.
_ nem isso, o uniforme dela é um vestido rs.
_ imagino seu bom humor se você tivesse que trabalhar de vestido.
_ fico mal-humorada só de pensar.
_ aposto que nem um filme do Tarantino ela viu!
_ não sei. não tive tempo pra saber um monte de coisa. eu pensava que quando eu fosse até a casa dela, quando eu sentisse o cheiro do quarto dela, do lençol que ela dorme, esses cheiros que mostram quem a gente é, eu chegaria mais perto das coisas que ela não mostra pra ninguém, que ela esconde e não conta. mas deu tudo errado. como eu queria que essa viagem não tivesse acontecido, e tudo fosse se dissolvendo aos poucos para que eu pudesse sentir o não querer, a rejeição, esse gosto amargo da indiferença.
_ pára de ficar procurando aonde você errou.
_ não tô procurando.
_ tá sim! fica igual um detetive juntando fatos, relembrando acontecimentos, procurando evidências, onde você poderia ter sido diferente, e o que aconteceu quando ela simplesmente não quis mais. pára de ficar pensando, bem no fundo, que a culpa pode ser sua, fazendo força pra não acreditar que ela é essa, me desculpe a franqueza, filha da puta que ela está sendo com você!
_ cara... eu concordo com tudo isso! mas daqui a dez minutos posso discordar novamente. Há uma imensidão entre o que eu quero e o que eu tenho que fazer. saber o que ela quer me ajudaria muito.
_ ela não te quer! é nisso que você tem que acreditar. se ela fala que “tem que ser assim”, é mais uma prova da pessoa covarde que ela é! tem que ser assim uma pinóia! foi assim porque ela quis, e querer terminar não é o fim do mundo, é só mais uma escolha feita no planeta! Thalita, relacionamentos acabam num telefonema do mesmo jeito que começam numa troca de sorrisos, você sabe disso mais que ninguém! (desculpe a franqueza novamente).
_ eu sei disso tudo. eu só queria entender porque me custou tão caro uma coisa que não durou nada. Pra mim vale a pena quando as pessoas ficam melhores, acrescentam alguma coisa por causa de um relacionamento. Pra ela não fez diferença alguma! Fogo de palha, amor de verão, pequenos surtos que fazem bem de vez em quando.
Eu perdi muita coisa por causa dela. Mas coisas que, por serem minhas, não saíram de mim. E cara... eu ia jogar minha vida pro alto por causa de alguém que nunca viu Forrest Gump!
_ hahaha é thalita! Inacreditável!
_ hahaha tô brincando. Todo mundo sabe que eu pouco me importava se ela tinha assistido Forrest Gump ou se ela não sabia qual é meu filme do Almodóvar preferido.
_ esse é o problema. ela sabe coisa demais, inclusive que vc teria emburrecido por ela! como emburreceu, porque francamente: vc é uma pessoa muito inteligente pra ficar sofrendo por alguém.
_ essas coisas a gente não escolhe, cara.
_ aliás, qual seu filme do Almodóvar preferido?
_ Tudo Sobre mi Madre. é genial! Por mais que ela procure em sua vida as respostas que o filho queria, por mais que ela volte ao seu passado e mastigue novamente tudo aquilo que ela quis esquecer o gosto, por mais que ela passe por cima de seu orgulho e se lembre da pessoa que era, não adianta: seu filho já morreu, sem saciar sua curiosidade sobre a vida de sua mãe. Tem coisa que não adianta fazer depois.
_ viu? você sabe o que tem que fazer, thalita. não adianta fazer mais nada.
_ cara, se ela me ignorasse, me esquecesse, se eu parasse de ver, de pensar nela... amanhã eu tava feliz e sem olheira!
_ alô, brasil! ela não te quer mais!!
_ velho, que não queira! então pára de ler meu blog, pára de indireta, pára de ter que mostrar pro mundo inteiro que não me quer mais, pára com essa necessidade de me tratar mal para afirmar sabe-se lá o que dentro daquela cabeça, pára de falar comigo como se eu não tivesse feito nenhuma diferença na vida dela, pára de mostrar pro mundo inteiro que eu não incomodo, como se incomodasse o fato das pessoas não saberem disso! pára com essa mania de mostrar que tá feliz da vida, como se não tivesse que beber toda semana, como se conseguisse ficar em casa sozinha com os próprios pensamentos, tranqüila com o que eles têm a dizer. pára de se apoiar nas pessoas, como se elas precisassem notar sua felicidade instantânea. não me quer, paciência e o problema é meu! mas pára de me lembrar isso toda hora!
_ vai ver ela ta fazendo isso pra você ter raiva dela, pra te ajudar a esquecer.
_ não consigo ter raiva de quem eu gosto, ela sabe disso.
_ isso deve irritar muito.
_ o que?
_ você, cara. você irrita muito. É a pessoa mais mal-humorada do mundo, adora reclamar, é teimosa, chata, mas tem um coração gigante, não consegue nem ter raiva de alguém que só tá te fazendo mal. tudo bem que tá sendo um pouco trouxa, mas numa boa, thalita! quem tá perdendo é ela!
não era ela mesmo que falava que morria de orgulho de ter você na vida dela, alguém foda, inteligente, simpática e que de quebra tinha o sorriso mais bonito do mundo? então, filha... sinto muito, mas igual a você ela não consegue mais não.
_ é. isso é verdade.
_ cara... vira a página e vamo embora! e dá um jeito de trabalhar menos, hein? aí, ta se acabando no trabalho e no cigarro, tem que parar.
_ capaz d’eu parar de fumar numa hora dessas!
_ investe mais nas coisas que você gosta. sei lá, você ainda pode fazer umas matérias na universidade, é uma boa hora pra fotografia.
_ comprei dois livros hoje.
_ boa. gastar é sempre terapêutico. quais?
_ felicidade clandestina, da clarice. E um de crônicas da martha medeiros, tô doida pra ler.
_ bacana. aqui, vamo embora?
_ vamo, quero fazer umas coisas na rua.
_ vou com você.